Excessos dispersos

Sorrisos discretos, olhares irrequietos…Vasta escuridão de sentimentos, pouca sabedoria no entendimento.

Palavras que sobram, sem nexo. Comunicação nervosa e sedenta de lábios. Rubor na fala, tremor no olhar. Sentidos confusos.

Toques agitados de pele cobiçosa. Ardência no caminho da ausência da voz. Tênue percepção do tempo do desassossego.

Ternura na razão, leve discernimento. Entrega!

Descubro querer-te sempre durante excessos dispersos.

Livre de apegos

Na inquietude da alma e na arritmia da razão, a gente se conhece. O tempo de se encontrar e se perdoar. O tempo de viver. 

Na leveza da compreensão e na aceitação do erro. Aprendizado.

Sabedoria nas rugas e no braile das cicatrizes. Experiências.

E na paisagem do desconhecido, a coragem para procurar compreender o espírito desassossegado que anseia por descanso, almeja a compreensão do tempo, da chuva, do afeto.

No carinho das atitudes, a aceitação dos limites. Admiração do que é possível, do que se pode doar. 

Um caminho livre de apegos, sereno de fardos, pleno de escolhas, claro de frutos…doces, amargos, salgados, suaves…desnudados.

Livre de apegos

Nade de costas

Deixe para trás o que não te leva para frente. Fácil falar, difícil fazer. Pode levar dias, meses ou anos conseguir se livrar de algumas amarras, alguns hábitos, alguns costumes, algumas “saudades”. Dizer não, mudar a dinâmica, mudar o curso das coisas é mais difícil do que continuar fazendo o que sempre fazemos. Nossos hábitos e costumes são nossa rotina, são conhecidos, são “confortáveis”.

O diferente é estranho, incerto, talvez contrário…e isso dá medo. Gera angústia e ansiedade. Você vai pular de cabeça em algo obscuro e duvidoso. Não sabe a reação de uma ação diferente do que está acostumada, nunca fez! Como será?

Não importa, se jogue. Talvez nada seja tão ruim quanto do jeito que está. Pelo menos fará de uma maneira nova, de um modo distinto. Ao invés de nadar sempre de crawl, olhando o fundo da piscina, seguindo a linha de azulejos pretos, nade de costas e veja o céu! Nade de costas e tente intuir se a parede para a virada já chegou ou não.

Nossas sábias avós e mães nos dizem: “quando algo não vai bem, arrume suas gavetas, arrume o armário”. E é isso, rasgue papéis, arrume as blusas, faça uma faxina na casa, tire a poeira dos móveis. Doe roupas que já não usa, jogue fora o que já está puído, inclusive os remédios que já passaram da validade – não curam mais e podem fazer mal. Tome “suco verde” para desintoxicar o espírito. Faça uma viagem, dê uma volta no quarteirão, se encontre com amigos, se embrenhe na natureza. Pise descalço na grama verde, tome um banho de rio ou mar…voltará renovado!

E aprenda a dizer NÃO, dizer não sem medo do que lhe vier de retorno. Mude o caminho, mude a direção, faça uma transformação. Tenha coragem e pule de cabeça no contrário, no desconexo para você. Coloque limites no que não suporta mais, selecione o que fica e o que sai, escute o que te faz bem e o que te acrescenta. Elimine quilos de sua alma. O corpo agradece, a mente rejuvenesce! Faça por você, não pelos outros. Faça para te dar prazer! E perdoe a si mesmo. Perdoe-se pelos erros, pelas tentativas frustradas, pelos fracassos! Fazem parte do tentar, do viver, do aprender! E assim, vá deixando o que não é mais útil para trás.

Se desvencilhe de pesos extras. A tartaruga só leva o essencial nas costas!!!

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Conhecer e saborear, palavras sinônimas

Viajar é uma das melhores atitudes para se tomar na vida. Vários artigos que vimos publicados nos últimos anos contam sobre os benefícios dessa ação simples e prazerosa. Não falo de viajar para comprar mil coisas, encher a mala de presentes e encomendas ou viagens de negócios, mas de viagens de conhecimento ou “re”conhecimento. Viagem de degustação do tempo livre para se dar ao prazer, ao LUXO do que quer que seja: comida, bebida, aprendizado, arquitetura, música… Há dois anos resolvi ir à Itália fazer um curso de línguas (uma de minhas paixões). E uma das aulas que mais me chamaram a atenção foi a aula de cultura italiana. E não era de arte, música, escultura, ofícios ou outros dons maravilhosos presentes no país da bota. Foi uma aula de cultura no sentido de costumes, hábitos, experiências e vivências. Um verdadeiro mergulho no cotidiano italiano. Talvez banal e corriqueiro para alguns, mas de uma riqueza transbordante que permite o desfrutar da cultura de um povo. As palavras, os hábitos, a praxe e as rotinas de uma civilização são explicados por suas experiências de vida, suas observações da natureza e seus comportamentos. E as peculiaridades e diferenças entre culturas fazem com que as comunidades e suas línguas diversas sejam fascinantes, maravilhosas, espetaculares … pelo menos para mim!

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Na Itália, SAPORI (sabor) e SAPERE (saber) possuem a mesma raiz da palavra. Incrível como conhecimento (saber) e sabor se misturam. Conhecer e alimentar-se são simbióticos. Entendimento e paladar são quase sinônimos. Aperitivo vem de APRIRE (abrir), abrir o estômago, abrir o paladar para os gostos (sabores) a serem degustados, a serem introduzidos no seu conhecimento. Abrir a mente e a alma para novas experiências, para o desconhecido. Experimentar é submeter-se à novas vivências, submeter-se a novos sabores (ou saberes) ou (re)deliciar-se com aqueles já testados e desejados. Experimentar é também entregar-se a provas psicológicas, morais ou físicas. O que você prova, experimenta ou testa ficará guardado na sua memória (olfativa, física, palatal, auditiva…) como vivência. E, toda vez que acontecer novamente, você se lembrará do que aconteceu da primeira vez, das vezes mais prazerosas ou menos.

Na Itália e outros locais onde a culinária é altamente cultivada, cultuada e comemorada, sendo patrimônio cultural do país, existe o ditado “Mangiamo com occhi, nazo ed orecchi” – comemos com os olhos, nariz e ouvidos. Quanto mais bonita é a comida, maior a vontade de comê-la. Quanto mais cheirosa, mais aguça o apetite. Grandes chefs exploram ao máximo essa tática em seus pratos fabulosos. Raras são as vezes que conseguimos reproduzir as receitas com a mesma arte “pintada ou esculpida” em um prato de chef de cozinha (com ou sem renome) ou cozinheiros natos. Podemos chegar bem próximos, e uma boa apresentação já começa a formigar a fome e nos encher a “boca d’água”.

Comemos com o nariz porque uma comida cheirosa já nos abre o apetite desde o azeite esquentando na frigideira, a cebola e o alho fritando na panela (o que dizer do café sendo passado na hora nas fazendas de Minas Gerais e o cheiro do pão de queijo quentinho no forno!!!). A memória olfativa é uma das mais fortes que o mamífero possui. E olha que o ser humano perdeu muito da sua capacidade de perceber e reconhecer odores com o ganho da visão cada vez mais potente.

Comemos com os ouvidos, pois uma comida é também repleta de texturas diferentes. A crocância de uma fritura ou da casca de um pão acabando de sair do forno faz barulho. O frescor de uma verdura ou fruta emite som ao ser mordida e apreciada e isso gera prazer auditivo. Saboreamos a textura, o gosto e o aroma de uma comida. A percepção tática da boca é surpreendente! Se pensarmos bem deve haver uma explicação para nossos olhos, bocas e nariz se interligarem!

Trufa e tartufo (pessoa hipócrita em italiano) têm a mesma origem que é ENGANAR o outro para pegar seu dinheiro. Para fazer a salsa de tartufo os italianos usam os piores “tartufos” ou “trufas” encontrados no solo. O tartufo é um fungo que vive em simbiose com uma árvore, em sua raiz. Assim sendo, para existir “tartufo” deve haver árvore por perto. Além disso, trufas dão em locais com muita chuva. É vulgarmente conhecida como uma “batata com fungo”. Antigamente, os caçadores usavam porcos para achar as trufas, pois são exímios farejadores de trufas. Contudo, porcos comem as trufas e para que isso não acontecesse, os porcos acabavam sendo espancados antes de abocanharem o tesouro (trufas são consideradas presentes dos Deuses). Hoje em dia, são usados cachorros farejadores que não comem as trufas. Vale lembrar que é preciso não destruir as trufas para que as raízes e o fungo deem novos tartufos na próxima estação. A maneira mais correta de comer a trufa é in natura e ralada (crua mesmo). Não se engane, tartufos verdadeiros custam uma fortuna!

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Assim como as famosas ovas de esturjão que apetecem bocas apetitosas por caviar na Rússia, existe uma iguaria de peixe também na Itália. É o que eles chamam de BOTTARGA. São retirados os ovários de fêmeas de atum ou algum outro peixe típico do mediterrâneo, e estes são colocados para secar. Ovários secos são ralados em cima da “pasta” e saboreados como tesouro nacional.

O segredo da pizza de Nápoles, a mais famosa do mundo e que se tornou matrimônio cultural imaterial da humanidade pela UNESCO, é a levedura. Até hoje, napolitanos usam a levedura mãe para fazer a pizza. Com ela fazem uma massa e deixam descansar. Sempre guardam um pedacinho de massa para servir de base para a próxima massa. A levedura dará sabor e leveza diferentes à massa. Existem famílias em Nápoles que usam a mesma levedura mãe há mais cem anos. A pizza napolitana possui origem controlada assim como o champagne na França. A pizza assa por um tempo de 80 a 120 segundos em um forno de lenha especial com temperatura extremamente alta. O fogo do forno a lenha fica somente de um lado, assim devemos girar a pizza para que ela asse por inteiro e uniformemente.

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O solo vulcânico é maravilhoso para legumes e os italianos sabem disso. Regiões vulcânicas como a Sicília produzem legumes e vegetais maravilhosos. Berinjelas e pimentões são considerados como a carne das famílias mais desprovidas e são apreciados como iguarias em mesas menos fartas.

Para os mais pobres, as refeições à base de polenta eram e ainda são a tradição. Polenta tem a mesma raiz da palavra POVERA, que significa pobreza. Antes se fazia polenta de cereais em forma de farinha. Depois que o milho foi descoberto nas Américas, veio a farinha de milho e a polenta que conhecemos hoje. Polenta com carne, polenta com legumes, polenta com qualquer outro alimento. Faz-se a polenta e a coloca em cima da mesa de lenho, a mesma mesa usada para fazer a “pasta”. Com um garfo na mão, as pessoas compartilham a polenta da família, comendo todos juntos ao redor da mesa coberta de polenta. E foi também a pobreza e a fome que fez com que italianos migrassem para outros países. Procuravam melhores condições de vida e de sobrevivência. Não havia comida para todos.

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Outra opção para os mais pobres ou trabalhadores braçais era a mistura de leite, pão e amêndoas. Se regalavam no café da manhã ganhando energia para enfrentar um dia de trabalho duro e pouca comida. Em dias melhores e mais copiosos faziam uma pasta com um pouco de chocolate, o que deu origem à NUTELLA (que custa uma fortuna nos supermercados no Brasil).

Italianos comem a salada depois do prato principal e antes da sobremesa, E isso tem explicação: a salada serve para limpar o estômago para receber o doce. Não tem de vir com molho, como as saladas francesas, pois a intenção é limpar as papilas e o trato gastrointestinal para receberem o sabor adocicado e mais ameno das sobremesas.

Obra dos chineses, o sorvete foi criado há mais de 3 mil anos, com uma base feita de neve, mel, frutas e gema de ovo. Passada aos árabes, a mistura foi chamada de Sberbeth e, mais tarde, se transformou nos famosos sorbets, a versão com água da sobremesa. Foi na Itália que a calda gelada ganhou leite e passou a ser produzida em uma batedeira chamada de mantecadora (do italiano mantecare, que significa bater ou misturar), dando origem ao gelato que conhecemos hoje. O GELATO italiano é diferente, cremoso e preparado diariamente, sempre com ingredientes frescos… Mas engana-se quem pensa que a primeira gelateria do mundo foi aberta na Itália. Claro que teve a mão de um italiano, mas foi aberta em Paris por um siciliano chamado Francesco Procópio (Le Procope). Francesco era filho de mestre confeiteiro e aprendeu a arte de fazer doces com o pai. O suco de fruta era misturado com neve e serragem fazendo surgir o gelato. Hoje, depois de alguma evolução, coloca-se gelo, sal, leite, mel e ovo na centrífuga de inox, antigamente, feita de madeira. Vale lembrar que por lá, o gelato é considerado não só uma sobremesa, mas um produto completo para a alimentação, já que contém proteínas, açúcares e leite, podendo ser tomado normalmente no café da manhã.

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O aceto balsâmico vem de Modena. Hoje, para dar cremosidade coloca-se o mosto de uva cozido. Já o autêntico aceto de Modena é tradicional e não possui adição de absolutamente nada (por isso é tão caro). São deixados para “descansar” anos sofrendo uma transformação até virarem um melado, obtendo uma textura de licor. Usa-se um fio na salada e carne ou pode até mesmo ser bebido como licor.

E falando em bebida, algumas curiosidades levam também à cultura alcoólica além da gastronômica. O Vermute é uma bebida alcoólica à base de vinho, apreciada por italianos, com adição de flores ou ervas aromáticas. O Campari, vermute italiano, foi um experimento de farmacêuticos (acredito piamente que até hoje seja!) misturando artemisia – erva medicinal muito conhecida – e vinho, conseguindo a proeza de fazer a bebida que hoje traz inúmeras cores e cheiros diferentes.

E assim temos uma viagem por sabores, culturas, histórias, artes, músicas, idiomas, costumes e hábitos. Para se conhecer um país, um lugar, uma população é preciso aprender a saborear as vivências de um povo e de sua história! Observe “as vitrines de sabedorias” e conhecimento de um povo e sua bagagem virá repleta de memórias e experiências. Viaje mais leve para poder se preencher de SAPERE e SAPORE (minhas “compras” favoritas!). Boa viagem!!!

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SAMBA, essa dança mundial !!!

Ontem fui assistir SAMBA, um filme francofônico sobre o problema da imigração de diversas nações em território francês, mas que pode ser extrapolado para outros países da Europa. De uma maneira muito leve o diretor expõe e explora o inconveniente (dificuldade). Digo leve, pois não sei se assisti a uma tragédia, a um romance, a uma comédia ou a uma sátira. Talvez um misto de tudo. Um misto de como a vida é. Uma vida difícil, sofrida, desumana… Uma vida que lida o tempo todo com a discriminação, a frustração, a indiferença e a falta de identidade. Contudo, uma vida que também lida com a esperança, com o instinto, o desejo, os sonhos, as expectativas e amores. Histórias de pessoas que pouco se entendem por causa da diferença de línguas, mas que se misturam no lado humano de ver o desespero de inúmeros pela sobrevivência (ou podemos dizer SUBvivência). Brasileiros, angolanos, senegaleses, egípcios, sírios, chineses, sudaneses, dentre tantos …que se atracam, se apertam, se mesclam e se ajudam. E assim vão vencendo dias, meses, anos…

Histórias de sofrimento que também se confundem com histórias de franceses – voluntários ou obrigatórios-. E como em todo trabalho voluntário é quem dá o seu tempo e não quem o recebe. Por mais racional que sejamos ou devemos ser não há como “manter a distância”. Não há como não rir e não chorar com eles. Somos humanos, somos sentimentos…

Não à toa o nome do filme é SAMBA, o mesmo da dança. É o gingado ritmado que leva à “subvivência”. É a capacidade de se adaptar, de dançar conforme a música, de rebolar frente às adversidades que fazem a vida andar pra frente. Que faz a fé continuar presente, acreditando que um dia tudo dará certo. Que terão direito a um lar, uma identidade, uma “vivência”. Pois até isso eles precisam perder…precisam se desapegar de nomes, de documentos, de papéis, de certidões. Necessitam somente SER, seja lá quem for – Wilson, Marie, Mathew, John, Andrew, Dominique, Pierre, Omar – seja lá quais letras estejam nos nomes. Sempre dançando com as possibilidades que surgem, sempre SAMBANDO com a fantasia que lhes é oferecida. Já que ainda creditam que um dia o sonho se tornará realidade. E se nesse dia não souberem mais a sua IDENTIDADE, a sua história…basta lembrarem da dança, essa sim que está impregnada com o nome, o caráter, o homem que são!!!

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E por que não?

Quem me conhece sabe que adoro línguas e culturas diversas. Sou fascinada por gramática, origem de idiomas, história, além da musicalidade e harmonia de algumas línguas específicas (principalmente as latinas). A sonoridade, o ritmo, o arranjo, o balanço e a cadência dos idiomas. Tudo tem sentido (ou não) para ser escrito ou falado daquele ou de outro jeito. De tal maneira ou de outra forma.

O francês com seus inúmeros acentos e uniões de vogais que sempre formam fonemas completamente diferentes do esperado e conferem elegância ao idioma; o português que, como o francês, sempre apresenta mais exceções que regras e que, aos ouvidos de estrangeiros, soa como música (bossa nova ou samba). O espanhol que nos remete a competições acirradas de touradas e partidas de futebol com “los hermanos”… E o italiano, ah!! o italiano…fanfarrão, gastronômico e exagerado…

Tenho ascendência italiana e a vontade de aprender a língua estava no sangue (azul é claro!!). Queria não só aprender o idioma mas também conhecer como cantá-lo, como saboreá-lo, como representá-lo em pinturas artísticas ou arte arquitetônica. Já havia tentado uma vez mas acabei desistindo em prol do francês que adoro!!! Há alguns meses o desejo ressurgiu (ou quem sabe uma necessidade) e, depois de um conselho amigo (Zé Antônio), resolvi partir para uma aventura de um curso de 4 semanas “in loco” no interior da Itália, em uma região pouco conhecida – Marche!! Quatro semanas de imersão, de diversão, de aprendizado e de conhecimento.

Várias foram as pessoas que me disseram “Italiano? Pra quê? Esse idioma só se fala na Itália, nenhum lugar mais, é quase língua morta!!!” Mas minha intuição, meu coração e talvez meu sangue falaram mais alto e já estava cansada de me justificar com a ancestralidade ou meu fascínio por línguas. E foi aqui na Itália que descobri a melhor resposta (justificativa talvez) para meu desejo. Um colega argentino, hoje amigo (Ivan), ao ser questionado sobre o porquê de aprender italiano disse: “E por que não?”. Sim, E PORQUE NÃO!!! E assim, sem culpa ou explicação aos pessimistas, venho “imparando” meu italiano. E cada vez mais constato que falar outros idiomas não só abre portas, falar línguas ABRE CORAÇÕES!!!

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Andar com Fé eu vou, com Fé não costuma falhar

Depois que o Papa Francisco resolveu revolucionar a igreja católica e vem fazendo a evolução da mesma em vários sentidos (afirmando que os homossexuais não devem ser discriminados e devem ser integrados na sociedade e condenando os abusos sexuais cometidos por pontífices), nos deparamos com conselhos altamente interessantes por parte de diversos integrantes da mesma.

Francisco Javier Martinez, arcebispo de Granada, Espanha, deu conselhos às mulheres crentes a fim de evitarem cair em pecado ao praticarem sexo oral com seus parceiros. “As mulheres podem praticar felação (sexo oral) com seus maridos sempre que eles pedirem. Mas quando o fizerem, devem pensar em Jesus para não se tornarem pervertidas.” disse a sumidade.

Depois de certo alívio, afinal não pecaremos mais ao fazermos sexo oral com nossos maridos, parceiros, companheiros, fico cá com algumas dúvidas importantes.

1. E se o marido for ciumento como fica o casamento? Será que ele achará que é traição? (ai já se trata de pecado)

2. No caso de ser sexo oral do homem na mulher (o que não deve ser permitido pois incorre em pecado de acordo com a igreja), mas na hipótese de ser permitido, o homem pensará em quem? Em Jesus também?

3. No caso 2 o pensamento do homem em Jesus durannte o ato libidinoso em sua parceira constitui ato contra a igreja, já que a mesma é contra o homossexualismo?

4. Sexo oral não tem fins reprodutivos, isso não vai contra a Igreja que recomenda sexo somente com esse fim?

5. As mulheres devem sempre rezar para que “Hosana fique sempre nas alturas”?

6. Gemidos e gritos devem ser substituídos por louvores e pronunciamentos de “Aleluia, aleluia, Senhor!” (muitas vezes Aleluia serve para o caso de Hosana ter dificuldades de permanecer nas alturas!!!)

7. O sexo deve ser sempre iluminado por luz divina ou podemos colocar algumas velas para um clima mais romântico? (velas de sete dias, velas para santos…)

8. Finalizado o ato, o casal deve dizer “Amém”?

As dúvidas são inúmeras e isso pode acabar prejudicando o ato não pecaminoso (o que seria da Igreja se não fossem os pecados!!!).  Além disso não há nada mais parecido com a encarnação masculina do “Pecado mora ao lado” do que a imagem de um Jesus nórdico, olhos azuis e barba por fazer, a versão mais oficial da Igreja Católica – uma ótima companhia para uma sexta a noite, com banho de espuma, sais de banho, velas aromáticas e pensamentos obscenos.

O importante, de acordo com um amigo, é ter fé:  “nessa hora não penso em nada, vou com fé.” Nesse caso, está perdoado!!

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Ser gêmeos

Ser  de gêmeos é assim, ser  dúbio, ser extremos. Dizem que é ser comunicativo. Nunca achei que tivessem razão nisso, mas agora vejo que meu silêncio também comunica.

Posso não falar tudo que penso mas penso tudo que falo. E meu silêncio, esse, diz mais que quaisquer de minhas palavras. Sou “homem” que ama caixas.

Tenho medo de mim, da minha coragem e da minha covardia. Do meu amor e do mesmo desamor. Sou sombra e luz, e nem sempre ou quase sempre é na luz da sombra onde mais me revelo. Desejos ocultos, paixões sinceras, amores desequilibrados. Ardor na prática. Tesão na compreensão.

O desconhecido fascina, assuste e exaure. Preciso aprender os meus limites e não deixá-los me apreender. Voar. Sonhar. Fazer…e realizar a loucura. Caminhar no sentimento.

Desfrutar o silêncio e o falar sem parar, quem sabe assim me escuto! Preciso me ouvir, preciso me amar, me libertar de mim mesma…e voltar, e voltar…e aceitar. Aceitar a mudança, aceitar o que já foi e o que nunca foi. E velejar em mares novos pra saber como voltar. Pra saber retornar. Retornar a mim mesma. E de novo amar, e de novo mudar.

E ser camaleão, cigarra, lagosta. Ser o que quiser, ser o que vier. Vulnerável ou não, viver!!!

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Escrito dia 22.05.2013

Empreendedorismo na Copa de 2014

Na onda do Brasil, país da piada pronta, li, ontem, na Folha de São Paulo, uma nota sobre prostitutas de Belo Horizonte que terão aulas de inglês para a copa do mundo de 2014. Nada mais correto elas aprenderem outro idioma, como uma delas mesmo disse ”para qualquer profissão é bom saber uma segunda língua” (mesmo que ela seja usada muito mais para outras funções do que realmente para falar). As mulheres que desempenham a profissão mais antiga de todos os tempos, estão MUITO à frente de milhões de pessoas que precisam e muito do inglês em seus empregos. Se o turismo não correr vai ficar pra trás. Restaurantes, bares e comércio idem. Companhias aéreas nem merecem comentários tamanha a necessidade de segunda, terceira e inúmeras línguas. Temos de aprender com os americanos que contratam brasileiros para atender a massa Brasuca que ai todo ano para Nova Iorque.  Agradar o CLIENTE é o mais importante de tudo. Ele SEMPRE paga bem quando é bem tratado, quando suas dúvidas são esclarecidas e torna-se fiel ao produto/serviço independente do preço (mesmo em época de crise).

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Na mesma nota, entretanto, vinha explicando o que elas aprenderiam. Inglês básico como nomes de frutas, legumes e verduras por exemplo. Parem tudo? Nome de frutas e legumes? Pra quê? Por acaso eles vão jantar, almoçar ou tomar café com elas? Óbvio que não. Devem aprender, antes de tudo, o vocabulário técnico necessário para a profissão como sexo (sex), camisinha (condom), pênis (penis, cock, dick, doodle, dong…), vagina (vagina, pussy…), 69 (sixty-nine), “de quatro” (dog`s position), bunda (ass), dentre milhares. Devem aprender os números com primazia para saber cobrar o preço correto pelos serviços prestados one hundred, two hundred, three thousand dollars).  Sem  esquecer os gemidos: Oh, YES, Oh NO, Oh Yes, Oh No!!! Palavras já tão conhecidas nos filmes americanos como FUCK  (ME ou YOU) devem ser pronunciadas corretamente e com ponderação, senão vira confusão (já que podem ser usadas para xingar também).

Tempos verbais a serem ensinados: presente (de preferência no imperativo), passado e futuro:

Come baby, come!!!  Nice to meet you.  Take out your clothes and put the condom. No condom, no sex!!!

Oh Yes sir, you came yesterday. Did you like it?

See you tomorrow, we will have a wonderful time together AGAIN….

Mas se quiserem insistir nas verduras, legumes, frutas e alimentos as únicas palavras que recomendo são: banana, cucumber e sausage…

Enjoy….

PS: com um mascote chamado FULECO, só fazendo sexo mesmo pra ESQUECER!!!!

Brasil, o país da piada pronta!

Parafraseando José Simão: “Brasil, o país da piada pronta”.  Na euforia hipócrita de que tudo vai mudar com os fogos de artifício, com as simpatias de cores diferentes, no amarelo pra trazer dinheiro, no verde pra trazer sorte, no vermelho pra trazer paixão e no branco pra trazer paz, ainda continuamos nos enganando com promessas que nunca serão cumpridas, sonhos que não serão realizados e dívidas que não serão pagas. O ano velho (um dos piores e mais longos que já vi passar) acabou com inúmeros fatos vexatórios para os cidadãos brasileiros e 2013 chegou “prometendo” mais escândalos que o anterior. Finalizamos o ano com a manchete de uma história patética e altamente comum que o país conhece: acidentados que MORREM nos hospitais à espera de um atendimento médico (esses fazem juramentos maravilhosos no dia da formatura…), e começamos o seguinte com um político condenado tomando posse no gabinete da presidência e um assassinato de um jovem por causa de 7 reais. A menina Flávia, de 10 anos, vítima de uma bala perdida (em uma semana de jornalismo foram pelo menos 5 mulheres mortas da mesma maneira na mesma região – mas nós ainda estamos de ressaca do réveillon pra entendermos o que isso significa) no Rio de Janeiro, esperou OITO horas para ser atendida e faleceu porque o médico de plantão não foi trabalhar em protesto contra o regime de trabalho ao qual é submetido (sem avisar que iria faltar). Isso pra mim se chama ASSASSINATO, e dos mais descarados. Enquanto isso, nossas “celebridades” fazem plásticas íntimas ou ignoram a Lei Seca, e a mídia bate palmas (e nós, palhaços, também). Nossos políticos são atendidos às pressas e deixam médicos famosos com entrevistas proferidas nos salões dos melhores e mais bonitos hospitais de São Paulo.

Piada? Isso já não é nem mais piada, isso é escracho…Por muito menos, nós, caras pintadas na época, colocamos Fernando Collor na rua. Foi expulso do Palácio do Planalto a “pontapés”. E agora,  aceitamos, alienados, as falcatruas de políticos que escandalosamente se apropriam da TAXA da corrupção existente em todo e qualquer projeto realizado por um governo que, desde 2002 se diz cego, surdo e mudo para as ações de seus comparsas. José Genoíno será empossado,  HOJE, como deputado federal, mesmo tendo sido condenado no julgamento do mensalão a seis anos e onze meses de prisão por formação de quadrilha e corrupção ativa. TEORICAMENTE, teve também seu mandato cassado. Isso é a mais gostosa vingança dos corruptos e da mega quadrilha à decisão do STF. O pensamento deve ser  “Foda-se essa nação de merdas, mesmo condenado tomarei posse e quem manda nessa porra toda aqui somos nós, a quadrilha do PT”…( imagino as piadas que contaram durante todas as festas de fim de ano!!).

O Rio de Janeiro continua achando que todo o dinheiro do pré-sal é dele, enquanto o resto do Brasil que se dane. Os políticos continuam comprando votos, as balas perdidas continuam matando milhares de pessoas, a saúde continua uma verdadeira porcaria, a educação ainda tentando “recuperar” as aulas perdidas com as greves…e a gente tomando champagne à meia noite do dia 31 de dezembro na falsa e ignorante esperança de que em questão de minutos as energias se renovam e tudo será diferente. Realmente Léo Jaime: “Oh, oh,  oh, nada mudou!!!” (talvez teria sido melhor o mundo ter acabado em 21 de dezembro de 2012, como diziam os Maias).

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